terça-feira, outubro 31, 2006

Um campo para novas formas de relação ou o fim das relações humanas?

São 3h30 da matina. Depois de ficar repassando o dia na cama antes de dormir, como boa parte dos colegas deve fazer, eu me levantei, e voltei insone para o computador, que, diga-se de passagem, estava ligado. Sim, ele fica ligado até dois, três dias seguidos, e eu faço parte daquele grupo de pessoas que passa de 4 a 6 horas/dia na frente do PC, aqueles que são muitas vezes considerados viciados em internet.

Agora todos devem estar se perguntado o que a minha freqüência de acesso ou o fato de eu estar em plena terça (digo, quarta-feira) às 3h30 da manhã conectado, tem a ver com a disciplina? Bem, pessoas com esse perfil geralmente têm o estigma popular de viciados, e consequentemente, seres anti-sociais. Eu mesmo já adotei esse julgamento a respeito de várias pessoas que passam mais tempo online do que eu. Da mesma forma que o usuário adquire o estigma, a internet é julgada e condenada como a última pá de cal sobre as finadas “verdadeiras relações humanas”. Com ela, dizem, as pessoas irão abrir mão de todo o contato pessoal, desde o banco ou supermercado até o campo das relações afetivas.

Hoje, na aula, o professor lançou um pensamento óbvio, mas sobre o qual eu nunca havia pensado a respeito: A internet ajuda na verdade a estreitar as relações interpessoais, ao invés de restringi-las, nos isolando em ilhas de pretensa auto-suficiência. Ela oferece ferramentas que reconfiguram a forma como nos relacionamos, e, sobretudo, como escolhemos com quem vamos nos relacionar. Dos sites de relacionamento como o Orkut aos softwares de compartilhamento de arquivos, vão se formando relações, que muitas vezes se desenvolvem com muito mais fluidez do que uma relação começada pessoalmente, devido ao imediato reconhecimento da convergência de interesses.

E se engana quem pensa que isso atrapalha a vida pessoal fora da internet. A maioria das pessoas acaba trazendo suas experiências na frente do monitor para fora de casa: aquele e-book raro, o disco de uma banda irlandesa de música celta misturada com rock, a tese de mestrado de um cara da UFPE, tudo isso vai ser compartilhado, dentro e fora do computador. As relações interpessoais que se formam online muitas vezes não se bastam como tais, o que resulta em esforços para promover encontros. Daí saem namoros, turmas de amigos que combinam viagens juntos, orkontros e tudo mais. Pode-se descobrir a agenda de shows e teatro da semana, ou conhecer um amigo em Curitiba que vai te hospedar nas férias.

E isso não é privilégio dos anti-sociais, pelo contrário. A maioria usa a internet como uma ferramenta para incremento da sua forma de se relacionar com o mundo, e não para anulação desta relação. O estigma do coreano que morreu depois de 12 horas ou mais jogando em uma LAN house, ou do cara que satisfaz a sua frustração pessoal com 5 namoradas virtuais que ele nunca terá coragem de conhecer...bem, esses devem ser tratados exatamente como o que são: exceções

2 Comments:

Blogger Patricia Moura said...

Aí é que entra o bom senso do ser humano. O conhecimento. Se a gente prefere ficar horas na frente do computador ao invés de estar na convivência social cotidiana, das duas, uma: ou a convivência não está legal e não nos acrescenta nada, ou o computador virou uma excelente opção de aprendizado. Tudo o que é novo é gostoso. E é interessante que a família, os amigos e o namorado (as) saibam disso.

7:39 AM  
Blogger Alexandre said...

Concordo com a colocação da Patrícia, e acho que ela meio que responde ao teu questionamento, Katherine.

Mas ainda assim, reitero a minha crença de que essas pessoas são exceções, não regra. E de que o problema delas não é a internet, definitivamente.

Não houvesse a internet seriam os livros, um estudo obsessivo de música, ou de alguma ciência, ou qualquer outra coisa.

Mas pras pessoas saudáveis, o contato pessoal, caloroso, ainda é insubstituível, e a internet é uma ferramenta que incrementa isso.

Ao menos eu acho...

11:22 AM  

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